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quarta-feira, 21 de maio de 2014

O preço do Fortuito de valor


Ela era tão linda. Mas era só isso.
Ele era tão rico.  Mas era só isso.
Ela achava que a beleza que ela tinha era a moeda  que compraria todas as coisas que o coração dela pedia.
Ele pensava que as moedas que ele tinha fariam que ela gostasse do que ele era.
Numa dessas viagens da vida, se esbarraram.
Ele, por negócios.
Ela, por lobby mesmo.

Na última noite dela no Resort ( a amiga, que a acompanhara até então, passava mal no quarto e ela resolveu descer para assistir ao show de uma banda local no pubzinho do requintado hotel ) ele resolveu conferir que diabos  teria de tão bom num show de uma banda local no pubzinho do requintado hotel .
Ele precisou de uns drinks de coragem para, finalmente então, perguntar o nome daquela que ele ( e os demais também )  achava a mais bonita entre todas as outras.
Ela, que esbanjava simetria, precisou apenas retocar o batom.
Ele, enquanto perguntava seu nome,  ofereceu a bebida mais cara à moça mais bela.          
Ela, enquanto sorria, respondeu  e aceitou .

Nessa altura é razoável pensar que ambos pensavam que o drink  fazia o mesmo papel de um dote. Mais velado e mais barato, mas um dote.

Ele não sabia como agradá-la...  Até porque  não conseguiu comprar o manual pra fazer isso. E olha que procurou até  em lojas da 5th Avenue.
Ela não sabia como encantá-lo... Até porque os artigos que ganhava, todos comprados na 5th Avenue,  não diziam isso em suas  instruções da embalagem.

E viveram assim. 50 anos juntos. Contudo, infelizes.
Infelizes porque nunca descobriram que o valor que ela tinha não era o dinheiro dele que poderia comprar.

Infelizes porque nunca descobriram que aquilo que ele realmente era ficava ofuscado pela  beleza que ela possuía.

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

grAMAtica, etc e tal

Exclame quando eu te interrogo
Objeto diretamente ligado à fluência nativa do meu ser
Só sei falar você

Suplico, em oração subordinada ao desejo, te ter ao meu lado
Bem perto e conjugado

Sujeito agora predicado
Para findar a singularidade das manhãs
Não há sentido em pontuações vãs

Pronome alvo dos afetos que abrigo
Eu, tu, eles todos envolvidos

E no anseio do verbo que transita em tua boca
Me perco e me acho louca

Encontro preposições escritas entre verdades e ilusões
Disserto, rio e choro
Construo o gramática dos corações


OÁSIS

Me arranjo em teus cabelos desarranjados
E me enlaço em teus desejos embriagados
Sutil feito pouso do pássaro aplainado
É o pensamento que me envolve se ao teu lado

Aparta a solidão quando abraço
Se chega a morena e seu afago
Espelhado em teu rosto e então decifrados
Os devaneios por mim há muito sonhados

Feito sede que se mata
Feito sombra no Saara
É a bela que ultrapassa a miragem já formada

Feito pão que se divide
Feito areia que não se acaba
É você, morena minha, que ao sol ascende e basta.

Criado em 04 de Outubro de 2013


ESTRADA

Como se da estrada brotasse uma esquina
Fez com que todo caminho percorrido  fizesse sentido 
O tempo dos sinais que me pararam antes
Foi cronometradamente medido pra te ver agora
Das vezes que meu combustível acabou 
Dos abastecimentos que fiz na madrugada fria e solitária
Eu seguia na estrada certa do destino que esperava encontrar
E eu gostava da viagem, dos dias de sol, do vento em meu rosto
Poderia seguir sem te encontrar
Mas não seria suficientemente feliz ao acordar

s2

Criado em 08/06/2013

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

AGRIDOCE


Não liga porque quer falar
Desdenha pensando em voltar
Desfaz manobras, trança cordas
Sinestesia porque anestesia
Em meio à escuridao, irradia
Avassalador enquanto ameniza a dor
Mistura doce e sal
Bem dosado não faz mal


Desliga porque quer chegar
Quando chega não quer mais voltar
E faz manobras, invisíveis cordas
Arrepia enquanto anestesia
Em plena luz do sol, irradia
Avassalador porque não tem pudor
E como se estranho nao fosse
Mistura sal e doce

domingo, 14 de novembro de 2010

Seja o amor


Depois de certas experiências, depois de algumas lambadas, depois que os sonhos parecem ruir.
Depois disso volta a esperança e a vontade, depois disso renasce o desejo.

Esse poema surgiu assim, como símbolo desse novo tempo, como prova de um novo fôlego.
Como a certeza que vou te encontrar e com a convicção que vai valer a pena.


Seja alguém que valha a pena
Abrigue atitudes supremas
Queira caminhar comigo
Fale segredos ao pé do ouvido
Transpareça a cor dos teus sonhos
Não me esconda temores medonhos


Seja o amor
Abrigue meu amor
Queira meu amor
Seja o amor
Fale de amor
Transpareça seu amor


Seja alguém que eu ame
Abrigue o carinho que eu clame
Queira aguentar a adversidade
Faça elogios na mais longa idade
Transpareça a alma de menino
Não se assuste ao conviver comigo
29/10/2010

domingo, 29 de agosto de 2010

Like a child who's lost his way

Querer voar sem asas
Lavar-se com brasas
Experimentar o gosto das cores
Contentar-se com desabores
Assistir maratonas na Lua
Deitar à cama, no meio da rua
Ossos sem medula
Um bebê independente
Uma chama não ardente
Uma ilha sem mar
Um abraço sem tocar
Um reflexo tardio
Um dia ensolarado e sombrio
Poetas sem inspiração
Copa do mundo sem emoção
Jogo sem regras
Sapato com pedras
Pérolas aos porcos
Matéria sem corpos
Festa nas perdas
Constelação sem estrelas
Não é possível achar sentido
Se pela Tua presença
Eu não for envolvido


Criado em 11/02/2010

Dedicado ao cara que tem demonstrado um amor incondicional a cada dia: Jesus.